Palavras de André Gomes vistas como ato de coragem por Valverde

O treinador do FC Barcelona, Ernesto Valverde, afirmou hoje que o futebolista português André Gomes foi “corajoso” ao assumir que está a viver “num inferno” devido às críticas dos adeptos e da imprensa catalã.

“É um ato corajoso reconhecer o que está a viver. Todos os jogadores e treinadores têm sempre medo de transmitir insegurança e fraqueza. Fazer isso é corajoso. Todos passam por essas fases. Há que enfrentar e seguir em frente”, disse Valverde em Camp Nou, na conferência de imprensa da antevisão do duelo de quarta-feira com o Chelsea, dos oitavos de final da Liga dos Campeões.

O treinador espanhol assumiu que está disponível para ajudar o internacional português “em todo os sentidos”.

“Falei com ele várias vezes. O treinador está sempre pronto para ajudar”, referiu.

No mesmo evento, o médio Busquets admitiu que os jogadores do FC Barcelona não tinham “conhecimento” que a situação de André Gomes “é mais grave” e lembrou que a equipa deve “estar sempre unida”.

“Sabíamos que algo se estava a passar, mas ao ponto em que está, já que é um tema pessoal. Tentamos ajudá-lo em tudo o que é possível. Devemos estar todos unidos se queremos ganhar títulos”, disse o internacional espanhol.

Na segunda-feira, André Gomes admitiu que não se sente bem em campo e que não tem prazer naquilo que pode fazer, em entrevista à revista Panenka.

“Não me sinto bem em campo, não estou a desfrutar daquilo que posso fazer”, considerou o médio, de 24 anos, antigo jogador do Benfica, e que em 2016 trocou o Valência pelo FC Barcelona, clube em que tem tido uma presença irregular.

O jogador justificou o estado de ânimo com alguma pressão, que o impede de mostrar o seu futebol.

“Os primeiros seis meses foram muito bons, mas a coisas mudaram. Talvez a palavra não seja a mais correta, mas tornou-se um pouco um inferno, porque comecei a ter mais pressão”, justificou o futebolista.

O português não tem sido imune aos assobios que às vezes ouve em Camp Nou, admitindo existir uma ferida que não sabe como cicatrizar.

“Pensar muito faz-me mal. Penso em coisas más e, depois, no que tenho que fazer, e estou sempre a reboque. Ainda que os meus companheiros me apoiem bastante, as coisas não me saem como eles querem que saiam”, disse.

Nos treinos o jogador revela que se sente “tranquilo” e “confortável” com a equipa, fora dos ‘holofotes’ e sem a presença do público, mas que um jogo mau o deixa a pensar, e aí até nos treinos se reflete.

O médio admitiu ainda que não vive bem com esse sentimento e que se fecha nele próprio.

“Não me permito lidar com a frustração que tenho. Então, o que faço é não falar com ninguém, não incomodar ninguém. É como se me sentisse envergonhado”, esclareceu.

O futebolista referiu mesmo que em mais de uma ocasião teve “medo de sair à rua”, porque as pessoas o poderiam encarar.

Fonte: LUSA

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