“Ronaldo chega a casa e faz 150 abdominais, eu acendo o lume do churrasco”

Pablo Osvaldo concedeu uma entrevista ao diário desportivo espanhol Marca, onde abordou o facto de ter deixado o futebol com apenas 30 anos para se dedicar à música e à sua banda, os Barrio Viejo.

O antigo avançado do FC Porto confessa que não estava com a cabeça a 100 por cento no futebol e revela algum desgosto, não pela modalidade em si, mas para tudo o que a rodeia.

O futebol fazia-me feliz mas o que o rodeia não. Sempre pensei ter uma banda de rock e quando comecei no futebol não sabia que carreira ia ter. Enquanto jogava escrevia letras, e era o que mais gostava. Depois, comecei a tocar guitarra e a compor.

Estava cada vez mais agoniado. Hoje não renego em absoluto o futebol, mas fui com 19 anos para a Europa e quando cheguei à Argentina, senti um rude golpe. Toda a gente opina e quer viver a tua vida… Senti uma libertação quando tomei esta decisão. Estava decidido, mas ao mesmo tempo tinha medo, medo de me arrepender, de não ser bem-sucedido… Tenho amigos que vêm vídeos meus a jogar e que não compreendem por que deixei o futebol. Apoiam-me mas não entendem. Explico-lhes que posso ser feliz a fazer outra coisa, mesmo que não ganhe dinheiro com isso. Às vezes perco dinheiro. O meu sonho é tocar com os ‘Barrio Viejo’ até morrer, não me importa que seja para 10 ou 100 mil pessoas. A primeira vez que vi um miúdo cantar uma música minha no público ganhei um título. Emocionei-me…”, afirmou.

Osvaldo reconhece que não gostaria de ter a vida de Messi, por exemplo, pelo facto de não ter a liberdade que sente atualmente.

“Mas gostaria de jogar como ele. Coitadinho, ele não tem vida, vive numa prisão de ouro. Não podia estar aqui connosco a beber um copo e isso para mim é importante. Os jogadores desse nível nem em sua casa estão. Compram o televisor maior do mundo, mas nem à sala vão. Para que querem um Ferrari se estão a 15 minutos do centro de treinos? Nunca me importei com dinheiro, mas também gastei em parvoíces. Agora também gasto, mas em parvoíces mais baratas…”, referiu.

Apesar de tudo o italo-argentino garante que trabalhou muito no futebol, mas essa necessidade de liberdade por vezes levava-o a entrar em conflito nos clubes que representou. Osvaldo até dá o exemplo de Ronaldo para definir o que é trabalho a sério.

“Treinei muito. Sempre me chateou que, pelo facto de gostar de música, dissessem que não gostava de treinar. ‘Garantidamente embebeda-se e consome drogas’, diziam. Mas não tem nada a ver. Treinei muito e melhor que os outros, caso contrário não teria estado 10 anos na Europa e na seleção italiana. Mas nunca quis ser o melhor do Mundo, alguns viviam o futebol a 100 por cento, mas eu não. E isso gerou alguns conflitos com pessoas que exigiam mais de mim. O Cristiano Ronaldo não nasceu com o talento de Messi. É uma máquina, é mais esforço que talento, mas tem o mesmo valor. O Cristiano gosta de chegar a casa e fazer 150 abdominais; eu gosto de acender o lume para fazer um churrasco.

O futebol deu-me a possibilidade de ajudar a minha família. De cumprir o sonho que tinha de poder dizer ao meu pai que não trabalhasse mais. Permitiu-me viajar, conhecer o mundo, mudar a cabeça e a vida. Mas tirou-me a liberdade. E a minha liberdade não tem preço nem é negociável”, concluiu.

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